Doria fala em "dia histórico" e "dia pela vida" ao anunciar eficácia da CoronaVac

 Nesta quinta-feira, foi anunciado que a eficácia da CoronaVac contra o novo coronavírus é de 78% nos testes conduzidos no Brasil. 

Foto: AFP / Nelson Almeida via Getty Imagens. 
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), tratou como um “dia histórico” e de celebração “da vida” durante o anúncio da eficácia da CoronaVac, vacina contra a Covid-19 desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a empresa chinesa Sinovac Biotech.

Nesta quinta-feira, foi anunciado que a eficácia da CoronaVac contra o novo coronavírus é de 78% nos testes conduzidos no Brasil.

“Hoje é um dia dia muito importante para os brasileiros. Um dia pela vida. Um dia histórico e que muito nos orgulha. A CoronaVac tem uma eficácia e eficiência contra a Covid-19 de 78% a 100%. A vacina do Butantan é a vacina de São Paulo, e a vacina de São Paulo é a vacina do Brasil”, anunciou Doria, em coletiva.

Sem mencionar o presidente Jair Bolsonaro, o diretor do Butantan, Dimas Covas, exaltou também o embate contra os movimentos e ações que, segundo ele, tentaram desmobilizar e desacreditar o desenvolvimento da vacina em parceria com a China.

“Foi uma saga, Uma saga de luta diária, sanguinolenta, luta contra o ódio, contra a incompreensão, contra a falta de visão do que é uma vacina durante uma pandemia”, disse Dimas.

Os estudos clínicos da vacina encabeçada pelo governo paulista foram apresentados à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em reunião com membros do Butantan. Após o encontro, o Butantan oficializou o pedido para registro emergencial do imunizante.

Os dados foram revisados na Áustria pelo Comitê Internacional Independente, que acompanha os ensaios realizados em São Paulo e em outros estados do país.

Os testes da CoronaVac no Brasil começaram em 20 de julho e envolveram 13 mil voluntários da área da Saúde em 8 estados. Os profissionais, divididos em um grupo que recebeu o imunizante e outro que recebeu um placebo, tiveram duas doses da CoronaVac aplicadas em um intervalo de 2 semanas.

Desses, cerca de 220 foram infectados pelo Sars-CoV-2.

Outro dado importante no estudo é de que a CoronaVac garantiu proteção total contra mortes nos voluntários vacinados que pegaram a Covid-19. Ou seja, dos voluntários que receberam as doses do imunizante e que mesmo assim desenvolveram a doença, nenhum morreu.

O anúncio ocorre após três adiamentos da divulgação da eficácia da CoronaVac. O governo de São Paulo disse que divulgaria os dados preliminares da fase 3 em 15 de dezembro, mas na véspera mudou de tática porque a alta circulação do vírus no Brasil permitiu chegar a um patamar de voluntários infectados suficiente para fazer o estudo para pedir um registro definitivo.

A nova data para o estudo final seria 23 de dezembro, mas foi novamente adiada. O motivo: a Sinovac viu discrepâncias entre os resultados de eficácia no Brasil e na fase 3 que conduz em locais como Turquia e Indonésia.

Pessoas com acesso às conversas sugerem que a eficácia no exterior ficou algo acima da brasileira porque o estudo aqui foi feito com pessoas mais expostas, só profissionais de saúde, enquanto lá fora os grupos representavam a população em geral.

CORONAVAC NO PLANO NACIONAL DE IMUNIZAÇÃO

Em nota sobre a reunião que fará com o Butantan, divulgada nesta manhã, a Anvisa afirmou que deve se manifestar após o encontro. Há possibilidade de a agência divulgar em comunicado após a reunião sobre a eficácia da vacina apontada pelos estudos em Fase 3.

O Butantan já tem em solo brasileiro 10,8 milhões de doses da CoronaVac. A expectativa do instituto é chegar a 46 milhões de doses em janeiro e 100 milhões em maio.

Doria reiterou na véspera que a vacinação no Estado começará dia 25 de janeiro.

Também na véspera, durante pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, citou a CoronaVac entre os imunizantes que estarão no Programa Nacional de Imunização e previu o início da vacinação para este mês. 


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