Marcos Andrade

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Maioria dos brasileiros é contra privatizações e redução de leis trabalhistas

Datafolha aponta que 60% dos brasileiros rejeitam venda em série de estatais e 57% discordam que o Brasil precisa de menos leis trabalhistas. Metade acha que mulheres ganharem menos que homens é um problema do governo. 


A maioria dos brasileiros é contrário a privatizações em série de estatais e à redução das leis trabalhistas, duas promessas de campanha do presidente Jair Bolsonaro. O dado é de uma pesquisa do instituto Datafolha divulgada neste sábado (05/01).

Questionados se o governo deve privatizar, ou seja, vender para empresas privadas o maior número possível de estatais, 60% dos entrevistados disseram discordar dessa prática, enquanto 34% concordam. O restante se disse neutro ou não soube responder.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o resultado é diferente quando se observa somente os partidários do PSL, legenda de Bolsonaro: 65% são a favor das privatizações.

Entre os simpatizantes do PSDB – partido relacionado à venda de estatais devido ao governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) – o apoio à medida cai para 41%.

Os petistas, por sua vez, são os que mais rejeitam as privatizações: somente 29% dos entrevistados responderam ser favoráveis à venda de empresas públicas.

O tema é alvo de conflito dentro do próprio governo. Bolsonaro chegou a defender que algumas estatais estratégicas sejam mantidas públicas, enquanto seu ministro da Economia, Paulo Guedes, mencionou as privatizações como uma das prioridades de sua gestão.

O Datafolha também perguntou aos entrevistados se o país precisa de menos leis trabalhistas. Enquanto 57% disseram discordar, outros 40% são a favor da medida. Os restantes 3% não têm a opinião formada sobre o assunto.

Os simpatizantes do PSL também lideram a lista de favoráveis: 50% deles defendem a redução das leis trabalhistas. Já os partidários do PT são os que mais rejeitam: 65% deles são contrários.

Os entrevistados responderam ainda a uma terceira pergunta: "Mulheres ganharem menos do que os homens é um problema das empresas, e não do governo?". Enquanto 50% discordaram dessa afirmação, outros 47% concordaram. O restante se disse neutro ou não soube responder.

Em 2014, Bolsonaro sugeriu durante uma entrevista que os empregadores pagam menos para as mulheres que exercem as mesmas funções que homens porque elas engravidam. Dois anos mais tarde, reiterou que ele mesmo não empregaria homens e mulheres com o mesmo salário.

Já durante a campanha eleitoral, o então candidato à Presidência tentou se desviar do tema afirmando que a equiparação salarial não é um problema do governo pois já está garantida na CLT. "Se a lei não está sendo cumprida, a quem compete resolver é a Justiça", dissera na ocasião.

A pesquisa do Datafolha foi realizada em 18 e 19 de dezembro e ouviu 2.077 pessoas em 130 cidades brasileiras. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

DW

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