Marcos Andrade

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MPPB investiga falhas em armas que colocam policiais em risco

A empresa Taurus entrou definitivamente na mira do Ministério Público da Paraíba. E, de quebra, boa parte do armamento que é utilizado regularmente pelas polícias paraibanas, já que tanto a Civil como a Militar usam armas da empresa gaúcha que foram adquiridas pelo Governo do Estado. Na verdade, as investigações acontecem desde o ano passado, mas em agosto deste ano o promotor Túlio César Fernandes Neves, do Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial do MP paraibano, resolveu convocar todos os policiais do estado a comparecerem ao órgão no prazo de 30 dias para prestarem depoimento sobre eventuais defeitos apresentados nos armamentos.
O Edital 94/2018, que oficializa a convocação, foi publicado no Diário Oficial do Ministério Público da Paraíba depois que inspeções em delegacias de Polícia Civil e batalhões de Polícia Militar comprovaram in loco a incidência de problemas dos mais variados tipos nas armas utilizadas pelos policiais.
“São defeitos recorrentes que nos foram relatados por policiais, que pediram nossa ajuda na solução do problema. Então o nosso objetivo é conversar com o máximo de policiais possíveis para, a partir daí, materializar algum procedimento que possa solucionar a questão”, revelou Túlio César.
O promotor pediu ainda que os policiais não temam a convocação e que compareçam à sede do Núcleo para passarem informações mais detalhadas sobre os defeitos registrados, sobre o tipo de arma, o modelo e o número de série.
“O intuito do Ministério Público não é outro senão melhorar a qualidade do armamento. E garantir que as forças policiais da Paraíba estejam melhores preparadas para combater a criminalidade”, pontuou.
Questionada sobre o caso, a Secretaria de Segurança do Governo da Paraíba disse que não foi notificada e, por isso, não tinha como comentá-lo. Mas o próprio promotor falou de respostas que já tinha recebido tanto da Polícia Militar como da Polícia Civil, anteriores à convocação dos policiais.
Em ambos os casos, a garantia era a de que todas as armas compradas pelo Governo da Paraíba passam por testes antes de serem entregues aos policiais e que armas com problemas são devolvidas à fabricante.
Aspol comemora iniciativa do MP
Em meio à polêmica, a Associação dos Policiais Civis de Carreira da Paraíba (Aspol) comemora a convocação feita pelo Ministério Público e orienta que os policiais civis do estado compareçam para prestar depoimentos.
De acordo com a presidente da entidade, a escrivã Suana Guarani de Melo, vários tipos de armamentos vêm apresentando problemas, mas o caso mais grave – e mais frequente – estaria na pistola 24/7 modelo G2, que frequentemente vem apresentando defeitos, tanto no estande de tiros da Academia de Polícia como em ocorrências policiais reais.
Segundo ela, os problemas mais comuns são disparos acidentais quando a arma eventualmente cai no chão, algo que não deveria acontecer, e travamento na hora de recarregar a munição, impedindo que a arma continue a ser disparada.
No primeiro caso, o próprio policial ou outras pessoas próximas podem ser atingidas acidentalmente. No segundo caso, o policial pode perder o poder de fogo num momento que de fato precise. “Alguns estados, como Ceará, Paraná e Distrito Federal, já não compram mais armamentos com a Taurus, uma empresa que foi considerada inidônea pelo Tribunal de Contas da União”, acusou Suana.
A reportagem consultou o Portal da Transparência do Governo Federal e de fato constatou que a Taurus está inserida desde 2016 no Cadastro de Empresas Inidôneas e Suspensas (Ceis), o que lhe impede de participar de licitações até 21 de outubro deste ano, justamente por problemas em armamentos vendidos para o Governo de São Paulo em 2016.
Pois, para Suana Guarani, essa punição mostra bem os problemas existentes atualmente na Taurus: “A Aspol comemora a medida do MP, porque os incidentes existem, são recorrentes, e poderão ser fatais”.
A Taurus também foi procurada pelo Portal Correio, mas não atendeu os telefonemas. Uma nota publicada no site da empresa, contudo, sob o título “indústria brasileira sob ataque”, já aborda a questão e declara que está em curso um “esforço coordenado” que quer abrir a qualquer custo o mercado armamentista para empresas estrangeiras.
Na nota, a Taurus se apresenta como uma “companhia com fábricas no Brasil e nos Estados Unidos, com 76 anos de história, dezenas de patentes registradas, mais de 3.000 funcionários e que investiu mais de R$ 100 milhões nos últimos dois anos”. Destaca que todo o armamento dela é testado pelo Exército Brasileiro, que “já comprovou a modernidade da fábrica da Taurus e não verificou quaisquer defeitos de projeto ou fabricação”.

Da redação com Portal Correio 




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